O Partido dos Trabalhadores caminha para o definhamento em Mato Grosso. Depois de um desastroso resultado eleitoral no ano passado, em que retrocedeu no tempo e no espaço, a sigla enfrenta novas tormentas que podem ser cruciais para seu futuro. O principal delas é a perda da Secretaria Estadual de Educação, cujo setor é duramente questionado internamente e responsável pela primeira grande crise institucional do atual Governo, por conta da greve dos profissionais do ensino, aliado a uma série interminável de denuncias.
Com essa alteração, o PT em Mato Grosso passaria a ter apenas e tão somente um deputado estadual, Ademir Brunetto. Quando recebeu a Secretaria de Educação ainda no Governo de Blairo Maggi, o PT tinha dois deputados estaduais, um deputado federal e um senador. Fora isso, a sigla vivia perspectivas políticas efetivas de crescimento, mas, por erro estratégico, acabou perdendo desempenho e é certo que haverá perda de força política.
Na cobrança por espaço, peemedebistas lembram que o PT não deve figurar como o principal aliado do PMDB nas eleições municipais. Até porque observam que a configuração desse processo é diferente da eleição estadual, onde se coloca em jogo, prioritamente, a eleição presidencial. Nas eleições municipais, os partidos buscam, acima de tudo, se fortalecerem para seguir as regras do jogo. Em 2012, PMDB e PT serão adversários, assim como o Partido da República. “As grandes siglas não podem seguir a reboque, especialmente em bases eleitorais consideradas fundamentais como Cuiabá, Rondonópolis, Cáceres, Sinop, Alta Floresta, entre outras. Para os peemedebistas, é certo que Silval vai abrir mais espaço para a sigla. A discussão está confiada a um especialista em negociação de cargo: o presidente do PMDB, deputado federal Carlos Bezerra. “Bezerra precisa agir” – disse. “Sob pena de o PMDB acabar sacrificado na eleição”. O recado é claro: Silval precisa contemplar quem ajudou a elegê-lo: “Está todo mundo esperando e cansado de esperar”. A greve na educação é considerado outro problema crucial e que coloca o PT em posição de fragilidade. Além da representatividade política e ser tratado como aliado de peso, a sigla ganhou a Secretaria de Educação por conta de sua influência histórica no setor. Há tempos, no entanto, que a interferência da sigla está reduzida perante a classe. Por mais que o PT controle os sindicados, profissionais do ensino são regidos por suas próprias carências. Prova é a greve iniciada esta semana por aumento salarial – o que fará com que o Governo ganhe pontos no desgaste político.
Os questionamentos contra a direção do PT na Secretaria de Educação também são fulminentes. E é onde aparece a principal ameaça: o novo PSD do deputado José Riva, atualmente no PP. Riva tem aprovado pelos deputados a contratação de uma auditoria para investigar os gastos da Secretaria de Educação. O trabalho só não foi contratado por uma questão de valores: uma auditoria ficaria muito cara para o legislativo. Fora isso, há suspeita de uso eleitoral pelo PT. O Tribunal de Contas do Estado (TCE), por sua vez, indicou falhas graves na condução da política de contratação de temporários – onde concentram-se as denuncias de favorecimento. O deputado José Riva está construindo um partido forte e que para ser aliado vai exigir posições claras do Governo quanto a cargos. Portanto, é mais um que entra na concorrência – frisou um articulador peemedebista.
No Palácio Paiaguás, nesta sexta-feira, aliados do Governo já cogitavam a saída de Rosa Neides Sandes de Almeida do cargo. Junto com ela, boa parte dos cargos ocupados por indicados do partido. A “derrocada” do PT deve se confirmar com a retotalização dos votos da ultima eleição. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em fazer valer o registro de Willian Dias, do PTB, fará com que haja alterações no coeficiente eleitoral. Por uma pequena diferença de votos – calcula-se que sejam seis, isso mesmo, seis – o médico Ságuas Moraes, atual presidente do partido no Estado, deve ficar como suplente de deputado federal. No cálculo, a vaga ficaria com Nilson Leitão, da coligação Senador Jonas Pinheiro, formada pelo PSDB-PTB-DEM. “O PT hoje está reduzido a quase nada. Não justifica o partido ter 150 cargos no Governo” – disse um aliado. A situação é, a rigor, de causas e efeitos. Especialmente porque o enfraquecimento do PT – que se iniciou com a decisão de Carlos Abicalil em disputar internamente a vaga ao Senado Federal que era ocupada por Serys Slhessarenko – ocorre exatamente no momento em que os aliados do Governo demonstram esgotamento quanto a distribuição de cargos. O próprio partido de Silval Barbosa se queixa de pouco espaço e cobra a indicação de 380 nomes. “Alguém vai ter que perder” – acrescentou, citando que, além do PT, há cargos também “em demasia” para integrantes do Partido da República, marcado também para perder.
Valdemir Roberto 24 Horas News
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