Uma mulher morreu por falta de atendimento médico no Hospital Regional de Cáceres. Com diabete descompensada, Marta Regina Marques, 35 anos, residente em Mirassol D´Oeste, chegou ao hospital e ficou cerca de três horas do lado de fora porque não havia vagas para internação. O médico que a acompanhava decidiu voltar para a cidade de origem. A paciente morreu no caminho.
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Os médicos Antônio José Macedo, plantonista do dia, no Hospital Regional e José Gonçalves Batista, de Mirassol D´Oeste, que acompanhava a paciente, se acusam mutuamente. Macedo nega que houve omissão de socorro. Assegura que, apesar de não ter vaga para internação, teria oferecido um box do hospital para que o colega, prestasse atendimento à paciente, o que segundo ele, foi rejeitado pelo médico.
“No dia não havia vaga em lugar nenhum. Eu não poderia tirar alguém da UTI para internar a paciente. Mesmo assim, ofereci um box do hospital para que o colega fizesse o atendimento. Mas ele se recusou” diz acrescentando que “quem errou foi ele que retirou a paciente de dentro do hospital, em Mirassol, mesmo sabendo que não havia vaga em Cáceres”.
O médico José Gonçalves, admite que não pode acompanhar a paciente. Porém, diz que o atendimento poderia ser feito em Cáceres, porque era um caso de emergência. “Chegamos a Cáceres por volta das 8h. Fomos ao Pronto Atendimento não fomos atendidos. Ficamos do lado de fora do hospital, embaixo de chuva, por mais de três horas. E, infelizmente, não pudemos entrar porque não havia vaga para internação. A paciente poderia ser atendida. Era um caso de emergência” diz afirmando que “realmente foi oferecido um local para o atendimento, mas não pude acompanhá-la porque tinha outros compromissos em Mirassol D´Oeste na manhã seguinte”.
O óbito aconteceu há 10 dias, porém, somente na última quinta-feira, se tornou público, depois que o promotor de Justiça, André Luiz de Almeida, informou que irá determinar instauração de Inquérito Policial, por omissão de socorro, contra os profissionais de saúde envolvidos no caso.
A família de Marta Regina, exige justiça. Uma irmã que não quis se identificar diz que “o que houve foi um descaso tão grande, certamente, porque somos pobres” e que “queremos que o fato seja apurado com rigor e que se faça justiça. Sei que isso não irá trazer minha irmã de volta. Mas servirá como conforto. Marta poderia estar viva se os médicos fizessem o atendimento”.
O promotor André Luiz de Almeida, afirmou que já determinou a instauração de Inquérito Policial e que se for comprovada a omissão de socorro, os culpados serão responsabilizados civil e criminalmente. “O MP irá apurar o caso. Se for comprovada a culpa de alguém, ele será responsabilizado” garante.
Sinézio Alcântara
de Cáceres
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